segunda-feira, 2 de novembro de 2009

29/10/09 - 37o. Dia - Miranda do Norte - Grajaú (MA)



Roteiro: São Mateus do Maranhão, Caxuxa, independencia, Capinzal do Norte, Dom Pedro, Presidente, Dutra, Barra da Corda e Grajaú.

Foi um dia muito interessante, por isso vou dividir o relato em três partes:
1a) Na cidade de Presidente Dutra, pela primeira vez, após 48 mil km, a Celestina deu "piripaco". Por volta das 11 horas da manhã, após um abastecimento, ela não quis pegar, indicando bateria fraca.
Porém, após uns empurrões, ela pegou e fui procurar uma oficina.
Na oficina, após informar que o defeito não tinha acontecido antes, um jovem começa a tirar o banco da moto para ter acesso à bateria e a desconectar todo fio que encontrava.
Toda ação dele era relatada previamente, tipo: "vou dar uma carga na bateria, vou lixar os contatos da bateria, vou limpar os contatos dos fusíveis, vou desoxidar os conectores de carga da bateria, vou limpar os contatos do iterruptor de partida", etc.
Para cada afirmação dessa eu ia, mentalmente, atribuindo um valor entre R$ 5 e R$ 10,00. Quando cheguei a R$ 50,00 parei de acrescentar e fiquei tentando encontrar um valor justo para o serviço. Imaginem o quanto foi angustiante para um cara muchiba como eu.
Para evitar esses pensamentos avarentos e diminuir sofrimento, comecei a discutir religião com a matriarca da família que também trabalha na oficina (os mecânicos são pai e filho e mãe e filha os administrativos). Todos riam das minha colocações laicas a respeito da Bíblia.
Enquanto o mecânico montava os fios busquei uma "quentinha" nas imediações e almocei na oficina conversando com a família.
Após limpar todas concexões desde o botão de partida até os cabos de geração de energia, passando pelos fusíveis e bateria, o Wilton me entregou o serviço.
Meus prognósticos mentais tinha fixado um valor entre R$ 30 e R$ 50,00. Porém, o valor atribuído pelo mecânico Wilson e confirmado por todos, me assustou. Foi um valor muito diferente do que eu tinha estabelecido mentalmente.
Quando cheguei, pensei que o tamanho da moto iria influenciar no preço do serviço, mas não tanto conforme ocorreu.
Eles não me cobraram nada. Insisti que esse preço não era justo, mas mesmo assim continuaram firme alegando que não me custaria nada. Naturalmente fiquei muito feliz e, após abraçar todos, fui embora.
O nome da oficina é ESTER MOTOS, fica na cidade de Presidente Dutra, no Maranhão. O mecânico é o Wilton, jovem e muito dinâmico. A sua irmã Carla que irradia simpatia e disposição toma conta das peças e o proprietário o Sr. Estelito. Comandando todos fica a matriarca, que não anotei o nome. Pelo que percebi, ela é muito impositiva na divulgação dos preceitos evangélicos.

2o) Reserva Indígena. Na noite anterior, meus companheiros de "hotel", os caminhoneiros, me amendrotaram muito pela rota que escolhi. Teria que percorrer 25 km de estrada dentro de uma reserva indígena e, segundo eles, os índios são imprevisíveis: fazem barreiras, invadem veículos e assaltam durante a noite.
Disseram que não era para eu parar, porque a beleza e o tamanho da moto poderia interessar-lhes. Recentemente tinham sequestrado um casal de namorados que passavam na reserva com um carro muito bonito.
Esses comentários me amendrontaram e, por esa razão, a tensão e a adrenalina foram altas o dia todo. Porém, a travessia foi totalmente tranquila, exceto pela quantidade e altura dos quebra molas (em torno de 50 obstáculos).
A única coisa que disseram e ocorreu foi que os índios tinham uma faixa obrigando todos os veículos a parar para pedirem dinheiro.
Mas, seguindo uma dica de um policial que me parou na estrada, segui colado num caminhão, quando eles baixaram a faixa para o caminhão eu passei colado sem parar. Ví só eles olhando assustados.
No caminho encontrei diversos indios mas que ficavam somente observando a passagem dos veículos.
Sobre esses guardas foi interessante: Bem antes da reserva, fui parado por uma blitz com 4 guardas super armados (dois deles com metralhadora). Ao parar foram logo fazendo diversas perguntas sobre meu trajeto e sobre a moto. Ao entrgar-lhes os documentos disseram "não precisa documento não. Só paramos você para curtir a beleza dessa máquia". Não sabia se ficava grilado ou feliz; optei pela segunda, principalmente deido ao arsenal dos homens.

3o) Conterrâneo. Na cidade de Grajaú, parei num supermercado para readequar meus suprimentos, quando um garoto aproximou e apontou para um senhor que estava sentado na porta de uma residência e disse que seu pai me convidava para tomar café.
Ao aproximar, o cara disse: "te chamei por admirar motociclista, agora que meu filho me disse que sua moto é de Morrinhos, o prazer é dobrado".
A conversa com esse sujeito extendeu das 17 às 22 horas. Junto com sua esposa e filho me levara para uma pizzaria e deu trabalho para eu rachar a conta.
O nome dessa simpatia é Mario Carvalho, conhecido em Morrinhos e Goiatuba como "cobrinha". Ele nasceu e viveu até a adolescência em Morrinhos e o pós-adolescência em Goiatuba. Por essa razão, diversos personagens das suas divertidas histórias, me eram conhecidas. Na adolescencia trabalhamos em empresas próximas em Goiatuba. Ele lembra de mim, mas eu não me recordei dele.
Nuitos dos seus amigos de infância de Morrinhos são meus conhecidos, inclusive meu grande companheiro Rui Leite.
Nas fotos a oficina e o "cobrinha". Que coincidência, em?

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